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BIOIMPRESSÃO - o futuro para os transplantes de órgãos

Pesquisas avançam no rumo da impressão de tecidos vivos

Postado por Maria Clara Monteiro Jun 14, 2018

Com data de início no começo dos anos 2000, os estudos que reúnem ciência e impressão 3D têm crescido nesses últimos 18 anos. Com pesquisas voltadas para a criação de tecidos humanos e órgãos impressos, laboratórios e startups tem efetuado esse trabalho juntos. Conheça agora um pouco sobre a bioimpressão que num futuro próspero entrará na rotina de todos nós.

Atuais pesquisas. O que já se tem?

No momento as pesquisas envolvendo bioimpressão se dividem em duas vertentes: impressão de tecidos humanos a partir de células tronco e as de órgãos em miniaturas para testes. Uma das empresas que tem se destacado nessa área de estudo é a startup americana BioBots. Com pouco tempo de estrada (em 2015 o ano de lançamento da bioimpressora) eles já possuem várias impressoras ao redor do mundo e em laboratórios de universidades consagradas como Harvard, Duke e Stanford.Entre as principais pesquisas da startup está a impressão de mini tumores a partir de células humanas.

A ideia desse tipo de estudo é poder testar novos medicamentos sem ter a necessidade do uso de cobaias humanas.

Outros exemplos recentes dos avanços nessas pesquisas:

Córneas impressas

- Órgãos impressos

- Orelhas e narizes impressos

- Coração impresso

Como funciona?

As impressoras 3D voltadas para esse tipo de trabalho de biofabricação de tecidos são chamadas de bioimpressoras e funcionam da seguinte maneira:

Diferente das tradicionais que utilizam termoplásticos ou resina como fonte de material, a matéria prima dessa versão são os biomateriais, as células e as biomoléculas. Sendo que eles podem ser a policaprolactona, que é um termoplástico ou de materiais que imitam a matriz extracelular, como a gelatina, gelMA, colágeno, alginato e entre outros. Sendo assim , são misturados com células que providenciam um ambiente similar ao que elas encontram no corpo para sobreviver.

Após a escolha do material a primeira etapa é a modelagem pelo BioCAD (arquivo com a organização estrutural dos componentes do tecido). No entanto, existem casos que são feitos a partir da utilização de arquivos de tomografia ou ressonância da bioimpressão para ajudar no processo de leitura do arquivo. Isso ocorre porque é necessária uma leitura bem aprofundada do modelo para entender a funcionalidade sistemática do nível molecular, celular e tecidual. Se contrapondo as impressoras normais, nestes casos precisa-se de um cuidado ainda maior no processo de modelagem.

Por fim, a última etapa é a de disposição do material biológico - células, biomateriais e biomoléculas na mesa de impressão. Vale lembrar que o material utilizado pode ser produzido por cada cientista ou comprado. Visto que já existem laboratórios especializados na produção desse tipo de experimento.

Fim dos testes de animais?

Uma das propostas da bioimpressão é substituir as pesquisas em animais por testes em materiais humanos produzidos em laboratórios. Isso ocorrerá devido à reprodução de pele humana a partir de células e remanescentes de cirurgias plásticas, por exemplo. Já as células troncos também estão cotadas como substitutas, pois, fazem parte do desenvolvimento de novos tecidos a serem utilizados em substituição às espécies utilizadas em pesquisas.

Essa nova forma de encarar essas pesquisas dispensaria a utilização de camundongos em testes farmacêuticos. Atualmente eles são a espécie mais usada nesses tipos de pesquisas.

Qual o tempo para isso chegar à nossa realidade?

Uma data precisa de quando esses tipos de pesquisas irão chegar no nosso dia- a dia ainda não existe. Poder ser que a conclusão de bons resultados cheguem em dez ou 15 anos. No entanto, os estudos referentes a esse assunto estão a todo vapor em laboratórios mundo afora. E o que já se tem são pesquisas voltadas para tecidos humanos como, por exemplo, a criação de pele para o tratamento de queimados. Além da produção de substitutos naturais, isto é, partes humanas com material biológico retirado do próprio paciente a partir da impressão 3D.

Em meio a tantas possibilidades os pesquisadores agora passam por um processo de averiguar o tamanho da eficiência desses novos órgãos que estão sendo criados.  Além de claro, enfrentarem polêmicas que os acusam de estarem “brincando de serem Deus" e a oportunidade de nos tornarem "super humanos" a partir de órgãos que funcionem melhor que os naturais.

Aqui é BR

O Brasil não fica para trás nas pesquisas, pois, logo ali em Campinas tem um pessoal engajado e que tem se aprofundado no assunto. São eles os pesquisadores da Divisão de Tecnologias Tridimensionais (DT3D), do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI). Ela é uma das unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, localizada no estado de São Paulo. Atualmente eles desenvolvem impressoras 3D e bioimpressoras experimentais para testes com biomateriais que podem incluir materiais biológicos.

O CTI hoje faz parcerias com instituições internacionais para aprofundar mais na área de estrutura da impressão e os fatores biológicos.

Acesse o site deles: https://www.cti.gov.br/pt-br/unidades/nt3d

Por hoje é só, até o próximo artigo!

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#ConfiaNaBee



Maria Clara Monteiro

Maria Clara Monteiro

Diretora de Marketing

Brasília

Descrição

Jornalista por formação e Diretora de Marketing da BeePrinted.