Roupas impressas trazem um consumo mais sustentável

Você é daqueles que não tem paciência ou te falta tempo para gastar horas em shoppings e lojas procurando roupas que caiam bem em você? Talvez você seja o próximo beneficiado com a impressão 3D na indústria têxtil.

Roupas impressas são uma nova vertente desse tipo de tecnologia  que vem como uma alternativa mais sustentável para os padrões de consumo, além de buscar revolucionar a indústria da moda.

Ficou curioso como isso irá funcionar? A gente te conta!

Do tcc para o mundo

Tudo começou com o trabalho de conclusão de curso de uma estudante de moda israelense, chamada Danit Peleg, em 2017. Buscando novas alternativas de uso sustentável, ela inicialmente utilizou o material de TPU, aquele das capinhas de celulares semelhantes a silicone (olhe a foto abaixo). Com ele, foram impressos sapatos e roupas a partir de designs feitos em programas de modelagem 3D.

O sucesso dessa nova proposta para indústria de moda veio rápido e a jovem estilista viu a possibilidade da abertura desse mercado que não se resuma apenas a bijuterias produzidas com PLA. Dessa forma, Danit Peleg foi a vários países divulgar a ideia e deu continuidade ao negócio que hoje é um e-commerce onde é possível encontrar uma coleção inteira de roupas impressas assinada por ela.

Como funciona

Ao se falar de peças de roupas feitas em impressoras 3D, muitas dúvidas surgem em relação a que tipo de material pode ser usado para que realmente possa ser utilizado como vestuário. Nesse caso as impressoras usadas são as de FDM e os tipos de filamento utilizados são nylon, tpu, filaflex e o PLA que nós usamos em nossas impressões. Desses listados o TPU e o filaflex são mais utilizados na produção dessas roupas, por terem uma textura e acabamento mais maleável. Já os outros possuem uma textura mais rígida e são selecionados para detalhes das roupas ou em alguns casos até mesmo para compor uma peça inteira no estilo mais diferentão. (veja a foto abaixo)

Agora sobre o tempo de produção dessas peças pode variar entre 100 horas de impressão ou até 12 dias, como é o caso das jaquetas expostas no site da Danit . Já a vida útil de cada uma das peças não foi informada. No entanto, no site da estilista ela dá instruções dos cuidados com as roupas, como por exemplo, a proibição do uso de ferro de passar e secadora. Também é alertado não secar as peças em exposição ao sol, lavar apenas a mão e com a utilização de detergentes.

Modelo mais sustentável

A entrada da impressão 3D na indústria têxtil tem trazido também uma possibilidade de reflexão para modelos mais sustentáveis de produção. Isso porque essa vertente não necessita de grandes estoques, já que as peças são feitas sob medida.

Outro ponto questionado é que essas peças produzidas excluem a utilização de máquinas de lavar, pois, elas não precisam de uma lavagem intensa. Vale lembrar que hoje as lavadoras são uma das vilãs no consumo de água das residências brasileiras.

Ainda sobre um consumo mais sustentável esse tipo de produção abre espaço para uma nova visão mais equilibrada e sem desperdícios. Lembrando também que os materiais para a produção dessas peças podem ser reciclados.

Novas marcas aderindo a esse mercado

Mas não é só Danit Peleg que tem se beneficiado nessa nova forma de se produzir moda, outras empresas e estilistas têm ocupado esse nicho do mercado. Como é o caso da Anastasia Pistofidou, arquiteta grega especializada em tecnologias de fabricação digital. Ela mora em Barcelona (um polo de moda mundial) e trabalha como diretora do Fab Textile que elabora pesquisas voltadas para produção de moda mais incorporada ao nosso ecossistema por meio da tecnologia. Com isso, no laboratório são realizados estudos e impressões de peças de roupas.

O projeto, ainda não recebe remuneração pelas roupas fabricadas, mas busca trazer uma nova forma de repensar a moda e o consumo dela. A pesquisa de Anastasia  já está em fase avançada de criação e já uma grande concorrente para a jovem israelense.

O que não é nada mal ter mais empresas nesse mercado, porque atualmente o negócio de Danit Peleg tem cobrado em média 1000 dólares em cada uma das peças produzidas.

Futuro

Com os avanços nas pesquisas esperamos que não demore muito para o dia que nós mesmos poderemos imprimir o nosso próprio vestuário em casa.

Por hoje é só, até a próxima com algum assunto referente à impressão 3D ;)

Brasiliense, jornalista, especialista em marketing digital e apaixonada por comunicação. Nas horas vagas gosta de escalar.

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